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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Fora da Caixa #2

Bom dia. Boa tarde. Boa noite.

Bem vindos ao Fora da Caixa.

Lembrando: neste espaço eu divulgarei textos e demais materiais de minha autoria que tenho publicado em outros websites/espaços.

Desta vez divulgarei os cinco últimos artigos meus que foram publicados no PORTAL DE FORMAÇÃO E AUTODESENVOLVIMENTO:


Sobre a sabedoria no falar e no escutar;

Sobre a inevitabilidade do envelhecimento físico e a importância de se manter jovem espiritualmente;

Sobre as dificuldades em se criar algo do zero;

Um conto sobre liberdade dividido em duas partes.


Como sempre peço, leia, e, se possível, avalie e comente no respectivo site [em que o texto foi publicado] ou mesmo compartilhe/divulgue. Grato!


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quarta-feira, 13 de maio de 2015

23. Não Há Vagas


Os rumores dizem que os jovens têm todo o mundo pela frente para ser conquistado por toda a energia e a vontade que possuem em mãos, mas nada dizem sobre toda a sorte de dificuldades que teriam de enfrentar quando chegasse o momento. Para muitas coisas, somos muito jovens; e depois, quando a idade supostamente abriria todas as portas para a vida adulta e suas infinitas possibilidades, nós ainda somos jovens e devemos tomar o último lugar na longa fila das oportunidades, uma fila encabeçada por pessoas supostamente mais experientes.

A juventude nada é além de uma eterna, insuportável espera.

Eu, é claro, sou jovem demais para pensar de maneira tão radical. O que este garoto aqui sabe a respeito das coisas da vida? “Ele é jovem demais até para entender sobre a juventude, e ignora a bênção de ainda não ter de se preocupar com as máculas da maturidade. Ele tem apenas vinte e cinco anos. Ele tem apenas vinte e oito. Tem apenas trinta anos e não sabe que até então tem vivido os seus melhores anos.” Os mais experientes fazem tudo parecer tão mais simples!

Mas a realidade... Esta é um tanto diferente.

Para o jovem, a vida é como uma festa para a qual ele nunca é convidado. Ele mesmo se convida e a invade. E quando não é dos mais tímidos e não se envergonha de sua atitude, ele surge numa entrada triunfal e é quem torna a festa um pouco mais agitada. E barulhenta.

O jovem é um penetra na festa dos veteranos. E como isso incomoda!

E talvez por isso, em algum momento o jovem é finalmente barrado ao tentar seguir com mais um de seus muitos impulsos.

Não quero necessariamente dizer com isso que os mais experientes necessariamente se incomodam com a possibilidade de serem vistos como obsoletos aos olhos do mundo, para serem, então, substituídos por esses jovens desmiolados que não têm metade da bagagem de vida que os mais experientes já tinham quando se encontravam na mesma idade que eles, apesar de ser o grande temor de uns e outros.

Mas eu imagino que desde a segunda geração de seres humanos, os conflitos entre as gerações foram criados, e isto tem se repetido através das eras. Tornou-se uma tradição – e como uma boa tradição, um bom e velho discurso foi sendo (incansavelmente) repetido: neste caso, de que tudo era melhor em sua época se comparado com a época da geração seguinte, o mesmo discurso que provavelmente ouviu da boca de seus pais, que ouviram dos pais deles... E assim voltamos ao início dos tempos.

(Como comentário pessoal, eu também penso que a geração anterior à minha teve uma melhor experiência de vida, mas a minha geração continua a ser melhor que a geração seguinte; a minha geração ainda tinha uns bons resquícios daquela vida um pouco mais lúdica de tempos anteriores.)

Pensando melhor, certas virtudes, defeitos e angústias semelhantes sempre assombraram os mais jovens desde o início. Em algumas coisas, as gerações não são assim tão diferentes.

Todos – ou quase todos – já provaram o sabor amargo daquela sensação de viver em uma outra dimensão, e tudo o que fosse mais interessante parecia acontecer ou existir em um lugar muito distante, no outro lado da cidade ou mesmo no bairro ao lado. Para muitos, cruzar certas fronteiras não era permitido, a menos que os próprios pais fizessem companhia. E até certa idade, alguns não tinham o direito de aprender a conhecer o que havia além de seu próprio quintal – o que é muito natural sob o ponto de vista de quem tem o dever de cuidar e proteger, mas sufoca aqueles que desejam desbravar os diversos campos e territórios da vida.

E esses jovens herdam os medos e anseios de seus pais, e os repetem com seus filhos.

E aquele que tenta fugir disso (automaticamente) se torna a grande ovelha negra da família.

E aquele que tenta fugir de todo o resto – de medos e anseios familiares, de valores e de tabus sociais duvidosos ou batidos... esse, então, é um grande desordeiro.

Mas o jovem que tenta fugir de tudo o que caracteriza o jovem típico não é bem vindo ao clube, nem dos jovens... nem dos adultos. Sim, a juventude é um tipo de limbo, e os jovens são seres que se sentem (eternamente e eternamente e eternamente e...) deslocados no tempo e no espaço.

Mesmo quando tem o desejo de ser diferente, o jovem não faz parte do clube dos originais com essa sua intenção. Todos querem ter um lugar no mundo para chamar de seu. E esse desejo nunca morre...

Nunca.

Nem com os cabelos brancos.


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domingo, 22 de dezembro de 2013

9. Sou Uma Alma Antiga



Sim, eu ainda gosto de ser jovem.
Contudo, sinto uma poderosa maldição tomando a minha juventude dia após dia, que é a sensação de ter chegado tarde demais. Cheguei tarde para muitas coisas.
Não falo somente a respeito de tendências culturais, mas da experiência de vida em sua amplitude, assim como é inevitável a falta sentida de amores que eu poderia ter vivido no frescor de suas existências.
Socialmente, eu me deparo com uma era doente de pura apatia, mesmo com a ilusão provocada pelo som e pela fúria atravessando paredes, mas sem objetivo. E tudo o que resta são meros latidos de pequenos cães atrás de um portão. Entendam, a fúria é latente, mas precisa ser bem canalizada. Bem utilizada.
Esses dias alguém me disse que apesar de muito jovem, sou uma alma antiga. Certamente insere-se aí a perspectiva espírita, que, se não sou adepto, no mínimo respeito ao acrescentar algo a mais nesta vasta pluralidade de visões existentes. E eu acredito que seja possível, mesmo que de uma maneira figurativa.
Sou jovem e da velha guarda. Sou um remanescente espiritual de qualquer tempo esquecido. Não fecho os meus olhos para o futuro, não sou contra o que se entende como progresso, mas sinto que conforme desenvolvemos mais e mais ferramentas e facilidades para a vida cotidiana, mais e mais perdemos a nossa identidade, e parece que cada vez menos temos algo de relevante a dizer ou sentir. Nem todos são assim, é claro. Ainda conseguimos encontrar pessoas que sabem se reconhecer como grãos de areia no tempo, reconhecendo que muitas coisas vieram antes e outras ainda virão, e que por isso mesmo precisam se preocupar em deixar a sua marca.
Sinto-me não sendo levado a sério, mesmo que isso fuja às intenções alheias.
Mas principalmente sinto a minha alma antiga transitando constantemente para além do espaço-tempo, revisitando o que queria ter experimentado em carne e osso, e talvez tornando-me à frente do meu tempo, à época, sem perceber. Hoje sou a cópia da cópia da cópia (e não somos todos?), ainda que tentando soar diferente.
Mas agora estamos todos dopados. O mundo não é perfeito e ainda há muito a ser feito por ele, é verdade, mas foi muito simplificado. Então tornamo-nos dementes. O progresso é lucrativo e, mesmo não sendo um demônio em si, é um meio utilizado para o aprisionamento massivo de nossa fúria interna, de nossa vontade de viver e quebrar barreiras não visíveis a olho nu. Estamos aprisionados em uma grande zona de conforto. O progresso em si não é um pecado, nem fazer uso dele o é, mas estamos equivocados ao pensarmos que nada mais precisamos fazer.
Ainda há muito a ser dito, mas estamos cegos, surdos e mudos. Somos almas perdidas no campo de batalha dos dias atuais, no qual somos bombardeados pela apatia uns dos outros. Ou pela fúria cega de um irmão contra o outro.
Nossa guerra mais importante hoje é espiritual.
Não em um sentido religioso, mas ainda mais amplo. Em quebrarmos a barreira das paredes de nossa mente com a ajuda de nossa fúria interna. Em libertarmos o nossa alma de nossas mais vulgares convicções, daquilo que fecha as portas e janelas da percepção e corta as nossas asas invisíveis. E nem são necessárias as armas físicas para sermos domados e domesticados. Basta apenas essa ilusão de espaço-tempo e de que nada pode ser diferente. Da ilusão que estamos presos em nosso tempo e que devemos nos afundar na mais profunda apatia porque é tudo o que temos.
Deve ser por isso mesmo que sempre tento voar com a minha alma antiga por onde (e quando) mais desejo. Não sem perder o senso de realidade, mas o ampliando. Daí o motivo de escutar músicas antigas, e ouvir, fascinado, histórias de muito antes de meu tempo, para suspirar de saudade de tudo de bom que eu não vivi. Será que um dia eu ainda terei os meus anos dourados?
É como eu sempre digo: simplesmente não tenho culpa de ter nascido tarde.


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